Quando o ídolo sai da televisão e entra na nossa história

Por Ketly Cristina Vaz Kreusch

Meu pai era louco por futebol.

Não é força de expressão. Se havia uma partida acontecendo em algum lugar e uma maneira de assisti-la, provavelmente ele estava assistindo. Campeonato brasileiro, estadual, internacional — pouco importava. Primeiro pela televisão, depois também pela internet. Para ele, tecnologia servia, entre outras coisas, para uma finalidade muito clara: ver futebol.

Ele assistia, comentava, discutia, comemorava e sofria.

Principalmente sofria.

Se hoje sou santista, é por causa dele.

Às vezes me pergunto por que meu pai não virou jogador. O futebol ocupava um espaço tão grande em sua vida que parece estranho imaginar que nunca tenha tentado transformar aquela paixão em profissão.

Ele queria um filho menino.

Talvez imaginasse um garoto para levar ao campo, ensinar futebol, comentar escalações e, quem sabe, depositar nele um pouco daquele sonho que ele próprio não viveu.

O menino não veio.

Vim eu.

E o futebol veio junto.

O que ele talvez imaginasse transmitir a um filho, acabou transmitindo a uma filha.

Anos depois, veio Antônio.

Seu neto.

E, com ele, nasceu em mim um sonho que talvez não tenha começado exatamente comigo: o sonho de vê-lo jogar futebol.

Mas aqui não é apenas sonho. É profecia.

Meu filho vai ser jogador. Está escrito em algum lugar invisível, nesse fio que atravessa gerações.

No último sábado, alguma coisa nessa história de três tempos se encontrou.

Fui com meus filhos assistir ao jogo Resenha com Amigos. Entre os grandes nomes do futebol que estavam ali, estava Romário.

Romário.

Não na televisão. Não em um vídeo antigo. Não nas imagens de uma Copa que ficou guardada na memória de uma geração.

Ali. A poucos metros de mim e dos meus filhos.

E eu fiquei absurdamente feliz.

Uma felicidade quase infantil. Daquelas que fazem o coração acelerar e que, quando tentamos explicar racionalmente, parecem até desproporcionais.

Foi quase um êxtase.

Então comecei a me perguntar: por quê?

Por que uma pessoa que não nos conhece pode despertar uma emoção tão intensa?

Talvez porque, quando encontramos um ídolo, não estejamos encontrando apenas uma pessoa.

Estamos encontrando partes da nossa própria história.

Romário não é, para mim, simplesmente um homem que jogou futebol.

Ele pertence a uma época. Pertence às lembranças de Copa do Mundo, de televisão ligada, de família acompanhando jogos, de expectativa, gritos e daquele sentimento coletivo que o futebol brasileiro conseguiu produzir em tantas gerações.

E, para mim, futebol também significa meu pai.

É curioso perceber como nossos ídolos vão ficando associados às pessoas, aos lugares e aos sentimentos que existiam enquanto os admirávamos.

A vida segue. Nós crescemos, trabalhamos, construímos família, enfrentamos dificuldades, acumulamos responsabilidades.

Mas algumas imagens permanecem praticamente intactas dentro de nós.

Então, um dia, aquela pessoa que durante décadas pertenceu à televisão aparece diante dos nossos olhos.

O imaginário ganha corpo.

Ele está aqui. Eu estou aqui.

E, dessa vez, meus filhos estavam aqui também.

Talvez tenha sido isso que tornou aquele momento tão intenso.

Ali estavam três tempos da minha vida ao mesmo tempo.

O passado, na lembrança do meu pai. O presente, comigo e meus filhos vivendo aquele momento. E o futuro, representado por Antônio, um menino que já carrega em si a profecia de ser jogador.

Há dentro de mim uma emoção difícil de negar quando o vejo com uma bola. Talvez porque, naquele instante, exista um pouco do meu pai, um pouco de mim e muito daquilo que ainda poderá ser Antônio.

Eu entendo que é isso que chamamos de idolatria.

A palavra pode carregar uma ideia de veneração, de transformar alguém em algo maior do que realmente é.

Mas existe outra forma de idolatria.

Uma que não exige acreditar que o ídolo seja perfeito. Uma que nasce simplesmente daquilo que aquela pessoa passou a representar dentro da nossa história.

Ídolos são pessoas. Possuem virtudes, defeitos e contradições.

Talvez amadurecer seja justamente compreender isso sem perder a capacidade de admirar.

Porque há algo profundamente bonito — e talvez profundamente infantil — na capacidade de se encantar.

A vida adulta nos ensina o contrário. Precisamos controlar emoções, ser razoáveis, responsáveis, produtivos. Demonstrar entusiasmo demais pode parecer exagerado. Correr atrás de uma fotografia pode parecer bobagem.

“É só uma pessoa famosa”, alguém poderia dizer.

É verdade.

Mas aquela fotografia nunca é apenas sobre a pessoa famosa.

Quando queremos uma foto com um ídolo, talvez estejamos tentando fotografar algo impossível:

um sentimento.

Queremos guardar a prova de que aquele instante aconteceu.

Eu estive ali. Eu o vi. Meus filhos estavam comigo. Eu fui feliz naquele momento.

E, de alguma maneira que só a memória afetiva consegue explicar, meu pai também estava.

Talvez seja por isso que uma fotografia com alguém que não nos conhece possa significar tanto.

Não é sobre a importância que temos para aquela pessoa. É sobre a importância que ela ocupou nas nossas lembranças.

Meu pai me deixou o Santos. Deixou o futebol. Deixou lembranças de jogos, comentários, comemorações e sofrimento.

E deixou também esse fio invisível que agora chega até Antônio.

Meu filho vai entrar em campo para jogar. Não sei onde essa história vai terminar. Mas sei que o destino já está traçado: ele será jogador.

E, se um dia eu estiver na arquibancada vendo Antônio correr atrás de uma bola, haverá mais alguém sentado simbolicamente ao meu lado.

Meu pai.

Talvez felicidade seja também isso: perceber que algumas pessoas continuam participando dos nossos sonhos mesmo quando já não podem estar fisicamente conosco.

No sábado, fui ver Romário.

Voltei de lá pensando no meu pai.

E olhando para meu filho.

Foi quando percebi que alguns sonhos não pertencem a uma pessoa só.

Eles atravessam gerações. E alguns já nascem profetizados.

 

Senado aprova projeto sobre cães de apoio emocional para pessoas com deficiência

Brasília – Pessoas com deficiência mental, intelectual ou sensorial podem ganhar o direito de entrar em locais públicos ou privados na companhia de cães de apoio emocional. Essa autorização está prevista no Projeto de Lei (PL) 33/2022, do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), que recebeu parecer favorável do senador Romário (PL-RJ). O texto foi aprovado pelo Senado nesta quarta-feira (24), com emendas, e segue para análise na Câmara dos Deputados.

Ao apresentar o projeto, o autor explicou que a única legislação existente no Brasil sobre o assunto é a Lei do Cão-Guia (Lei 11.126/2005), que atende às pessoas com deficiência visual. Segundo ele, a falta de uma legislação específica sobre o cão de apoio emocional vem causando transtornos, exigindo inclusive a intervenção judicial.

Relator da matéria, o senador Romário (PL-RJ), ao recomendar a aprovação do projeto, afirmou que essa lacuna legal leva pessoas com deficiência, que já enfrentam desafios diariamente, a passarem por desgastes emocionais. Romário destacou os benefícios que os cães de apoio emocional propiciam às pessoas.

— O apoio emocional que esses animais propiciam para seus tutores é notório. Quando se trata de pessoas com deficiência mental, intelectual ou sensorial, o benefício psicológico e emocional é ainda superior. Há, inclusive, abordagens terapêuticas com animais que vêm se mostrando promissoras, com bons resultados sobre a comunicação, a interação social, a diminuição de crises de ansiedade e diversas outras melhorias no quadro clínico das pessoas com deficiência — argumentou ele.

Regras

De acordo com a proposta, a presença do cão de apoio emocional será assegurada em todas as modalidades e jurisdições do serviço de transporte coletivo de passageiros, inclusive na esfera internacional, se a origem for o Brasil. Qualquer tentativa de impedir esse direito, segundo o projeto, será considerada ato de discriminação, com pena de interdição e multa.

O texto proíbe o uso dos cães de apoio emocional para defesa pessoal, ataque, intimidação ou ações de natureza agressiva, assim como proíbe seu uso para a obtenção de vantagens de qualquer natureza. Essas práticas serão consideradas desvio de função e podem gerar a perda da posse do animal e a sua devolução a um centro de treinamento.

O projeto prevê que deverão ser regulamentados os requisitos mínimos para a identificação do cão de apoio emocional e a forma de comprovação do treinamento do animal e do usuário.

Fonte: Agência Senado

Meio de pagamento acessível para pessoa com deficiência pode ser obrigatório

Os fornecedores de produtos e serviços terão que oferecer, nas transações comerciais, formas de pagamento adequadas, seguras e acessíveis às pessoas com deficiência. É o que determina o projeto de lei (PL) 5.627/2019, aprovado nesta quarta-feira (12) na Comissão de Direitos Humanos (CDH). A matéria segue agora para análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O texto, de autoria do senador Flávio Arns (Rede-PR), altera a Lei nº 13.146, de 2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão (LBI), para dispor sobre a acessibilidade nos meios de pagamento. A iniciativa determina que os fornecedores de produtos e serviços devem oferecer formas acessíveis e seguras de pagamento às pessoas com deficiência, conforme regulamento a ser publicado posteriormente.

Em sua justificativa, Flávio Arns considera que a falta de formas de pagamento acessíveis constitui uma flagrante barreira à inclusão dos consumidores com deficiência.

— O que almejamos — e o que a Constituição determina — é a derrubada das barreiras incompatíveis com a construção de uma sociedade mais justa e solidária, livre de discriminação e preconceito. Sabemos que muitas dessas barreiras são criadas ou mantidas sem intenção de marginalizar quem quer que seja, mas precisamos fazer um esforço consciente de superação para incluir todas as pessoas para que nossa sociedade venha a ser realmente democrática — observou.

O autor ainda destacou que o avanço da tecnologia assistiva, inclusive com o uso de aplicativos para smartphones, tem facilitado a superação de barreiras corriqueiras, como a acessibilidade nos meios de pagamento.

— Dessa forma, com pouco custo, e de forma engenhosa, os fornecedores podem promover a inclusão e aumentar sua base de potenciais clientes — disse Arns.

O relator, senador Romário (Podemos-RJ), votou pela aprovação da matéria e a considerou ferramenta importante para tornar acessíveis não apenas os instrumentos de cobrança, mas também os meios de pagamento, combatendo a discriminação ainda persistente.

— A falta de acessibilidade em métodos de pagamento pode ser entendida como uma forma de discriminação oculta, pois poucos se dão conta dela. Apenas aqueles diretamente afetados notam a extensão de seus efeitos e as dificuldades por ela criadas — afirmou Romário.

Fonte: Agência Senado

No Dia da Síndrome de Down, Romário fala sobre independência e a importância de oportunidades

Estudantes, educadores, pessoas com deficiência e seus familiares, lotaram o auditório Petrônio Portela, do Senado Federal, na manhã desta quarta-feira (21), data em que se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down, para participar do tradicional seminário promovido pelo senador Romário (PODE-RJ). Este ano o tema foi “Contribuo com a Sociedade e tenho Síndrome de Down”.

O evento tem o objetivo de mostrar à sociedade como as pessoas com Síndrome de Down têm se desenvolvido e ampliado sua atuação nos mais diversos setores. Ao iniciar seu discurso, o parlamentar mencionou a postagem da desembargadora Marília Castro, que ofendeu a professora com síndrome de Down, Débora Seabra. Romário leu a carta-resposta da professora e arrancou aplausos do auditório. “Quem sabe sua carta a sensibilize e leve informações à desembargadora, para que ela consiga entender um pouco mais sobre o que é ser uma pessoa com síndrome de Down e, especialmente, compreender melhor o que é ser professora e saber educar”, ponderou o parlamentar.

Na mesa principal do evento Lucius Neiva, faixa azul em jiu-jitsu, com duas medalhas de ouro pela modalidade, contou sobre sua paixão pelo esporte. Já Jéssica Mendes, graduada em fotografia, funcionária da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, contou um pouco da sua intensa rotina e o amor pela fotografia. Outro palestrante foi Fernando Barbosa. Ele, que é cerimonialista e funcionário de um hospital na cidade de Porto Alegre, falou sobre a sua inclusão no mercado de trabalho e afirmou que sonha ser candidato a vereador. “Devemos estimular as pessoas com síndrome de Down a se filiarem aos partidos políticos, para que conheçam a gente e passem a acreditar nas nossas potencialidades. A inclusão das pessoas com síndrome de Down na política poderá tornar a sociedade mais tolerante, justa e com direitos iguais”, afirmou Fernando.

Para o senador Romário é a partir das oportunidades que são desenvolvidos os talentos. “Já sabemos que empregar pessoas com síndrome de Down tem um impacto positivo nas empresas, especialmente melhorando a motivação entre colaboradores”, declarou o parlamentar.

A programação, que contou com a presença de aproximadamente 500 pessoas, teve ainda o lançamento do livro “A Nova Vizinha”, de Gisele Gama, apresentação de dança do Centro de Ensino Especial 01, solo de dança cigana – com a especialista Fernanda Santiago, além de apresentação da associação DFDown e desfile inclusivo. O encerramento do evento ficou por conta da Banda da APAE, que encantou a todos com a música João de Barro.

Para Romário, o dia 21 de março é um dia de celebração dos ganhos conquistados pelas pessoas com síndrome de Down. “Não será excluindo que ficaremos mais ricos ou fortes. Ao contrário, é incluindo, é abrindo oportunidades a todo indivíduo, independentemente de ser ou não uma pessoa com síndrome de Down”, declarou o senador.